Que a covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, vai levar muita gente para o hospital causando problemas econômicos e sociais importantes, todo mundo sabe. Mas o que tem pouca gente enfatizando é o que acontecerá com a saúde mental de todos nós. Vai ser difícil não perder a cabeça.
 

Desde que a Organização Mundial da Saúde decretou oficialmente uma pandemia de coronavírus, o fluxo de informações a respeito da doença mais que dobrou. Números de contaminados, taxas de sobrevivência e mortalidade, sintomas, métodos duvidosos de cura e prevenção, etc. Cada novidade tornou-se motivo para sobressalto e um crescente sentimento de angústia e vulnerabilidade. Diante desse cenário tão incerto, o que fazer para manter a sanidade mental e não surtar?


1: Pare, respire, encontre o que fazer
Para começar, vamos assumir que essa é uma situação completamente atípica e que foge ao nosso controle. Por isso mesmo, é normal sentirmos medo: ainda não sabemos exatamente como o vírus se comporta nem como vai ser o cenário no Brasil. "O desconhecido assusta, pois cria outras perguntas: como eu vou lidar com isso? Como vai ser comigo?", afirma Dorli Kamkhagi, psicóloga e psicanalista do Laboratório de Neurociências do IPq (Instituto de Psiquiatria) do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Diante dessa expectativa, o melhor então é voltar-se para dentro e pensar: o que posso fazer? Como posso contribuir como pai, como filho, como cidadão? Tornar-se útil nesses momentos é uma boa medida para reduzir a sensação de impotência e ainda encontrar um sentido no meio de todo o caos.

 

2: Tente manter uma rotina 
Com o isolamento imposto para conter o avanço do vírus, sabemos que a vida está prestes a mudar bastante (se não é que já mudou). Mas é preciso tentar manter uma certa normalidade dentro dessa rotina anormal. "Vamos continuar fazendo as refeições, lendo o jornal que gostamos, conversando com pessoas queridas, nos exercitando e trabalhando de casa, quando for possível", afirma a psicóloga. O importante é admitir que serão tempos difíceis e que a rotina vai ter de ser alterada de alguma forma. Isso não significa, no entanto, entrar em pânico. "É uma ótima oportunidade para refletir sobre prioridades nas nossas vidas e ainda pensar em novas formas de fazer as coisas".


3: Treine a resiliência
Capacidade de lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas: a definição de resiliência cai muito bem para esse momento que estamos vivendo. Isso quer dizer olhar o problema de frente, mas sem entrar em pânico (o que prejudica nosso juízo) e, ao contrário, pensar em formas de lidar com ele até que a situação melhore. 

 

4: Faça exercícios físicos
Temos muitas evidências dos benefícios dos exercícios físicos para a nossa saúde mental. É claro que estar preso em casa vai tirar a energia que costuma nos levar até a academia, mas vale o esforço. Acompanhe nossas aula ao vivo às 18h, todos os dias no Instagram @performa_academia, ou acesse o APP Performa, na aba Meus Treinos e veja os treinos que montamos para fazer em casa. 


5: Sol, sono e alimentação saudável
Pode parecer banal, mas essa combinação é fundamental para mantermos nossa sanidade. Abra a cortina. Tente não trocar o dia pela noite e procure manter uma alimentação balanceada. Somos, antes de mais nada, um corpo –e o humor de nossa mente é reflexo da saúde desse corpo.


6: Não se isole emocionalmente
O ser humano é uma "criatura" social. Ficar isolado pode ser bastante complicado e agravar a ansiedade e o estresse do momento. Por isso, tente manter contato com as pessoas queridas, como amigos e familiares. "O isolamento é mais um estressor. Então, sempre que possível, tente manter os vínculos ativos", afirma o psiquiatra Rodrigo Leite, coordenador dos Ambulatórios do IPq (Instituto de Psiquiatria) da USP (Universidade de São Paulo). As redes sociais podem ajudar nessa tarefa, fazendo com que as pessoas consigam interagir sem estar fisicamente presentes.

 

7: Filtre as informações
Já era esperado que, em uma sociedade tão conectada como a nossa, o fluxo de informações seria imenso diante de uma pandemia. Para não entrar em parafuso com o volume de dados que chega a todo momento, o melhor é filtrar tudo o que chega até você. Isso significa escolher alguns veículos de confiança para se informar e evitar compartilhar mensagens das quais você não sabe a procedência ou a fonte. "Do contrário, a nossa estabilidade emocional vai se abalar e vamos ficar com o juízo de valor comprometido", alerta Kamkhagi.

8. Abra mão de controlar o incontrolável
Uma prece muito divulgada nos Alcoólicos Anônimos vem a calhar nesse momento. Diz ela: "conceda-me a serenidade para aceitar aquilo que não posso mudar, a coragem para mudar o que me for possível e a sabedoria para saber discernir entre as duas". Está na hora de colocarmos em prática, todos, a sabedoria por trás dessas palavras. Não vamos mudar, individualmente, o rumo da doença, mas podemos fazer a nossa parte. Aceitando, mesmo que com a boca amarga, a realidade como ela é. Incluindo nessa aceitação o que não podemos mudar e a coragem de darmos os nossos pequenos passos. Não podemos mudar o fato de que um novo vírus surgiu e que ele está perto de nós agora. Mas podemos, ao seguir as orientações das organizações da saúde, diminuir a velocidade com que ele se espalha e assim salvar muitas vidas. Pode parecer pouco, mas a escolha de não sair de casa hoje pode ajudar uma pessoa a encontrar um leito vazio no hospital na semana que vem. Com esse sacrifício de isolamento, podemos salvar vidas. Relembre o que há de mais valoroso atrás de nossos incômodos. São esses valores –ajudar o próximo, por exemplo – que dão significado à vida.

 

Fontes: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/03/16/coronavirus-como-segurar-a-ansiedade-diante-de-tanta-informacao.htm e https://danjosua.blogosfera.uol.com.br/2020/03/19/como-nao-perder-a-cabeca-na-quarentena-8-dicas-aos-pais-e-adultos-em-geral/